Reportagem de VEJA mostra como o dossiê contra José Serra, em 2006, foi encomendado pelo atual ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante
A revelação de que Aloizio Mercadante estava por trás do dossiê contra o tucano José Serra em 2006, será usada pelos líderes da oposição para pedir a reabertura do caso dos Aloprados. Em reportagem de VEJA que chega às bancas neste fim de semana, Expedito Veloso, petista envolvido na compra do dossiê, admite que o atual ministro de Ciência e Tencnologia encomendou o material, em conluio com o ex-governador Orestes Quércia.
Para o líder do PSDB na Câmara, deputado Duarte Nogueira (SP), a reportagem motiva uma nova investigação sobre o caso. “Sem dúvida, é um fato novo de um assunto que causou enorme constrangimento e prejuízo eleitoral para nós”, afirma. “Fomos acusados injustamente de que aquele foi um dossiê fajuto. No entanto, esse fato materialmente consistente pode nos permitir chegar à verdade”, afirmou ele ao site de VEJA neste sábado.
O líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), diz que as afirmações de Expedito precisam ser investigadas: “A Justiça deveria valer-se desse depoimento. É um fato gravíssimo que deveria ser esclarecido”, analisa.
Ao mesmo tempo, o tucano se mostrou cético em relação a uma possível reabertura do caso: “Fica difícil acreditar que um fato como esse possa ser revisto, em função dos precedentes que nós temos aí”, disse o parlamentar, referindo-se ao envolvimento do ministro Antonio Palocci com a quebra do sigilo do caseiro Francenildo Costa. A investigação jamais foi reaberta, mesmo depois da revelação de que a Caixa Econômica Federal atribuiu a ilegalidade ao gabinete do então ministro.
CPI – A reação às novas informações sobre o caso dos aloprados não ficou restrita ao PSDB. O presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), pede novas investigações sobre o episódio: “Esse caso tem que ser reaberto. Até para que fique claro se essa é a real prática do governo do PT”, diz ele.
Vice-líder do DEM na Câmara, Ronaldo Caiado (GO) pretende trabalhar para a criação de uma Comissão Mista Parlamentar de Inquérito (CPMI) que investigue não só a atuação de Mercadante como também a de Blairo Maggi (PR-MT), hoje senador por Mato Grosso. VEJA mostra que Maggi também encomendou um dossiê ao grupo dos aloprados. Mas, no caso dele, o alvo era Serys Slhessarenko (PT-MT), envolvida com a disputa pela hegemonia política no estado.
“Isso é o que existe de mais sórdido, mais baixo na política. Essas pessoas precisam ser cassadas, punidas”, afirma. Caiado pensa que a investigação no Congresso pode contar com o apoio do PMDB: “Eu acredito na assinatura do PMDB para a CPMI, porque eles não podem aceitar que Quércia tenha sido patrocinador desse crime”.
O DEM também deve pedir à Procuradoria Geral da República que reabra a investigação contra Mercadante, arquivada por falta de provas do envolvimento dele com a compra do dossiê contra José Serra.
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