O professor-doutor em Educação Paulo Tomazinho, do Paraná, ministrou um curso no Colégio Notre Dame de Lourdes, em Cuiabá (MT), neste último sábado (27) sobre o tema “Repensando a aprendizagem”. Durante oito horas, o consultor abordou a questão do conteúdo, evidências científicas, neurociências da aprendizagem e estratégias didáticas assimétricas com os professores da instituição da Rede Azul e de escolas parceiras.
Paulo Tomazinho defende que ensino nem sempre significa aprendizagem. “Em todos os eventos de educação tem uma ênfase muito grande em processo de ensino, como o professor deve ensinar, ferramentas, soluções para ensino, metodologias, sistemas, mas eu acredito que todo esse esforço que é dado para o ensinar nem sempre se traduz em aprender”.
A didática, pontua o especialista, é a arte e a ciência de ensinar e aprender. “Ela é binária. Se tem o ensino, necessariamente tem que ter aprendizagem. Refletindo sobre isto, comecei a fazer quatro perguntas. Qual a melhor forma de ensinar? Qual a melhor forma de aprender? Qual a melhor forma de estudar? Porque muitos alunos esquecem o que estudam?”.
Sobre qual a melhor forma de ensinar, Paulo Tomazinho começou a verificar as melhores evidências científicas nisto e percebeu que na literatura científica fica atestado que a melhor forma de ensino é colocar o aluno para trabalhar com metodologias ativas e não a aula expositiva, a leitura, nem o audiovisual ou vídeo ou demonstração.
Já em relação a melhor forma de aprender, o professor-doutor observa que se o professor ensina sabendo que a melhor forma de ensinar é a metodologia ativa, a melhor forma desse aluno aprender também não é expositiva, nem a leitura e nem audiovisual ou vídeo ou demonstração.
“A melhor forma do aluno aprender, à luz da ciência, tem que envolver conversar sobre o assunto para criar os seus processos cognitivos cerebrais e associações com aquele conteúdo; o aluno tem que fazer, porque fazendo aprende muito mais; e a terceira é permitir que o aluno ensinem os seus colegas”.
Quanto à melhor forma de estudar, Paulo Tomazinho explica que toda vez que testar seu conhecimento por simulados, provas, tenta lembrar, recuperar o conteúdo na sua memória tende a ser uma boa técnica de estudo, muito melhor do que releitura, do que sublinhar, do que leitura.
“Então, a melhor forma de estudar é por meio de simulados e prática distribuída. Não adianta fazer 40 provas de simulados em uma semana ou final de semana. O ideal é de tempo em tempo recuperar essa informação, revisitar a informação em práticas intervaladas de tempos mostram que é a melhor técnica de estudo”.
E sobre porque o aluno esquece o que estudou, o especialista volta na importância de que é importante aprender por longo prazo, para uso profissional, para a vida, fazendo isso recuperando as informações em prática intervalada, conversando, ensinando o colega, e este conjunto de práticas o fará lembrar do conteúdo por mais tempo.
Teoria da Comunicação
 
Toda vez que o professor dá uma aula ele é o emissor da informação e o aluno é o receptor. Geralmente de 70% a 75% imediatamente o aluno absorve. Porém, um dia depois a capacidade de lembrar as informações cai 50% e uma semana ou um mês cai para 10% ou 5%.
Como quebrar esta realidade apontada pelo professor Paulo Tomazinho. Ele mesmo responde: “Se você estuda hoje, a melhor forma de aprender isso é se testar com intervalos regulares de tempo. Ou o professor cria uma estratégia, ou os alunos criam grupos após a aula e recapitulam. Esta é a primeira repetição. Dois dias depois o aluno lê sobre novamente sobre a matéria. Uma semana, um mês depois, volta a recapitular”.
Pensando a aula em blocos
Para o professor, Dr. Paulo Tomazinho orienta que dê aulas pensadas em blocos a fim de facilitar o processo de ensino- aprendizagem. “Uma das coisas mais importantes que o professor pode fazer é falar menos. É tentar trabalhar um pouco menos de conteúdo, porém com mais profundidade. Ele deve pensar a sua aula em blocos. Início, meio e fim de aula”.
No início, o professor deve ganhar a atenção e conquistar o interesse do aluno. Ele pode fazer isso contando uma história. Nós, seres humanos, adoramos histórias. Relacionar o conteúdo a uma experiência pessoal, profissional, a um paciente, a uma empresa, acaba ganhando a atenção e interesse do aluno, de acordo com o especialista. “Outra forma de fazer isso é mostrar o porquê esse conteúdo vai ser importante para o aluno no futuro, dar exemplo de onde ele usará isso”.
No meio da aula o professor tem que ter alguns momentos de checagem pra saber se o aluno está entendendo. “Ele pode dizer que gostaria que conversassem com os colegas do lado sobre o que entendeu da aula e nessa dinâmica poderão recuperar as informações, construir uma frase e ensinar ao colega do lado, fazer novas associações somando pontos de vistas, e esses minutos ajudam a sistematizar o que foi trabalhado na aula até aquele momento”.
Mudança de era
 
“Nós estamos tendo a oportunidade de viver uma mudança de era. As tecnologias exponenciais têm mudado radicalmente a forma como as pessoas convivem, compram, se relacionam, e se a educação é um reflexo da sociedade, obviamente quando tem essas mudanças refletem na educação, na sala de aula”.
Neste contexto, Dr. Paulo Tomazinho afirma que o professor, de modo geral, está consciente, mas também está ansioso por saber o que virá. “Só que o futuro é incerto e por isso cada vez mais a capacitação contínua dos professores nunca foi tão importante como nos dias de hoje, para estar atualizando, discutindo quais são as novas formas do que dá certo ou não, e tudo é uma experimentação”.
E conclui: “Como não é possível saber o que virá no futuro, o professor precisa aprender mais rápido e aprender a desaprender, que é não ficar preso a hábitos, a modelos antigos e isso é muito importante para todo mundo, inclusive para professores”.

 

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