A política formal brasileira virou uma geleia geral desde que o último regime militar saiu dos palácios de volta aos quartéis de onde espero que jamais saia. Como Lula, o general-presidente Médici também deixou o palácio com aprovação popular alta (75%), embora tenha sido considerado o mais repressivo de todos eles. A história é implacável.
A carente cultura partidária brasileira não se consolida em razão dos sucessivos ciclos de ditadura e de abertura política, alternadamente. MDB e Arena, arremedos de partidos, foram extintos e ocorreu uma extraordinária fragmentação das siglas partidárias. Ficou mais fácil criar um partido político do que uma microempresa no país.
Dessa safra de novos partidos, apenas dois – PSDB e PT – foram criados em cima de um programa definido e claro, bem como, defendendo posições políticas existentes no resto do mundo civilizado e democrático.  Juntos governaram o Brasil por 16 anos (FH e Lula) e diferentemente do que se esperava no campo da consolidação dos partidos políticos na jovem democracia brasileira, diminuído o número de atores, melhorando a ligação desses com a população, nada foi feito porque nenhuma Reforma Política ocorreu. E o pior aconteceu, PSDB e PT foram “engolidos pelo falso poder” ao caírem na armadilha contaminadora de não saberem o que diferencia governo  e partido. Caíram na geleia geral, ambos abandonando ou despolitizando seus espaços de lutas, tornaram-se pragmáticos em nome da famigerada governabilidade e incapazes de sintonia com as ruas.
O pragmatismo político no PT foi mais visível dado ao radicalismo com o que acusava seus adversários e/ou defendia seu programa. No governo fez tudo o que condenava na oposição e, pior, assumiu o CINISMO como fonte de manutenção do falso poder.
O PT que esta semana ameaça expulsar a combativa e honrada Profª Serys teria coragem de fazê-lo se esta tivesse ainda um mandato popular e somasse na aritmética congressual mais um voto para Presidente Dilma? O PT que suspende seu único Vereador de Cuiabá e uma militante histórica como a Profª Verinha Araújo é o mesmo PT que absolve e reintegra aos seus quadros o Tesoureiro do Mensalão Delúbio Soares. É o mesmo PT que defende o rápido e inexplicável enriquecimento do Ministro Antônio Palocci. É pra acabar. É cinismo demais para partido de menos.

Luiz Soares é presidente do Instituto Teotônio Vilela – ITV/MT
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to de olho
to de olho
9 anos atrás

Parabéns pela matéria, Sandra! São artigos como este que a sociedade precisa, pois a população de MT está muito carente de informações(seguras) na esfera política. Sábias são as informações postadas pelo Sr Luiz Soares. Tudo isso faz com que possamos refletir mais sobre política, pois nem tudo está perdido… Que o referido autor continue postando artigos bem elaborados como este. Obrigado.