Foi a palavra mais adequada que encontrei para definir as mortes e os graves ferimentos físicos ocorridos em uma escola pública de crianças no Rio de Janeiro.
          O Brasil está em choque emocional. Enquanto isso, os célebres especialistas em segurança e violência povoam as redes de televisão tentando explicar, e a nos convencer com as suas teorias, sobre a tragédia que a todos atingiu.
          Desliguei-me do inútil noticiário superficial, que aborda um tema tão complexo como simples, onde não existe assassino ou bandido, e, sim, vítimas.
          É fácil para o governo culpar o responsável que apertou o gatilho da sua arma matando inocentes crianças e lesionando definitivamente outras que, escaparam da morte física, mas morreram emocionalmente.
          O assassino também é mais uma vítima dos tempos modernos, onde os nossos jovens crescem no abandono do poder público – o grande responsável.
Assassinos, criminosos, bandidos ou terroristas, são aqueles que matam milhares de inocentes diariamente, inclusive crianças, por motivos políticos, econômicos, religiosos, ou exercendo a  profissão de mercenários.
Muito desses assassinos, bandidos, criminosos estão vivos, sendo referenciados por muitos.
São os “democratas” e truculentos ditadores, ainda espalhados pelo mundo do poder, e os democratas, que não têm a menor cerimônia em destruir nações.
Chorar após a desgraça não é um ato humano. Todos lamentamos, mas sabemos que isso não é um problema de segurança policial, e sim falta de segurança social.
          Essas cenas não são privilégios de países subdesenvolvidos. Os Estados Unidos da América do Norte e a Alemanha já passaram, até mais de uma vez, por essa dolorosa, injustificável e insuportável agressão.
          Se o Brasil não tem condições de manter a saúde física de quase duzentos milhões de habitantes, é fácil concluir como vivem os milhões de brasileiros seriamente lesionados por psicoses e ambientes sociais hostis.
          As escolas brasileiras, especialmente as do ensino básico, onde uma patologia pode ser diagnosticada, ficam sem referência de como encaminhar essa criança para uma recuperação.
          É mais simples desligá-la da escola e deixar a doença evoluir até a tragédia.
          Depois do acontecido, cinicamente  aparecem os aparecidos, dizendo que o fulano era filho de criação, era muito quieto, não mantinha amigos e morava só.
          Esse era o momento de levá-lo a um psiquiatra.
          Acontece que esses raros especialistas não são absorvidos pelo Sistema Único de Saúde, e são poucos os que atendem através de convênios.
          Gostaria de ter poderes para processar, como partícipes da tragédia, os autores dessas denúncias pós-tragédia. Pecaram por negligência e omissão de socorro.
          Mato Grosso possui hoje três milhões de habitantes.
          Em todo o nosso riquíssimo Estado, existem apenas trinta psiquiatras em atividade, sendo que vinte estão em Cuiabá.
          Não precisa ser médico para identificar em uma criança, adolescente ou adulto, um distúrbio emocional. Mas, encaminhar para onde esse brasileiro ou brasileirinho?
          Inventaram fazer economia na saúde mental, e criaram um modelo europeu de tratamento caseiro, pior que a tragédia do Rio.
          Se algum curioso quiser saber quantos psiquiatras dos vinte existentes em Cuiabá trabalham para o SUS, por favor, me avise.
          O trauma da matança das crianças – que não consigo esquecer – foi uma tragédia anunciada, e não uma surpresa, como querem as autoridades.
          O risco de se repetir essa desgraça existe em todo o Brasil.
          Um ato de comoção pública costuma ser repetido pelos psicóticos.
          Enquanto as ruas das cidades abrigarem pessoas esquisitas, solitárias, introvertidas, mudas, com olhar impenetrável, o perigo continua.
          O trauma dominou esta nação.
          Aguardemos ações rápidas e propositivas do governo.
          Gabriel Novis Neves, ex-jardineiro, médico, fundador e ex-reitor da UFMT.
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