Nos últimos anos tem aumentado os estudos sobre a relação entre a audição, cognição e demências, conforme explica a fonoaudióloga e audiologista Vanessa Moraes, de Cuiabá (MT). A especialista aponta que, ao combinar os três casos, há um aumento de 30% a 40% nas chances de declínios cognitivos no paciente.

“Ouvir, mas não entender, fingir que entendeu e se comportar como se não estivesse participando da conversa, continuam sendo comportamentos que nos alertam a pensar nas dificuldades auditivas. Porém os estudos têm citado assustadoras comorbidades que podem acometer os indivíduos com deficiência auditiva, em casos em que não são tratadas com aparelhos auditivos”, aponta a especialista.

De acordo com Vanessa Moraes, além dos sintomas depressivos, pessoas com deficiência auditiva têm três vezes mais chances de queda, principalmente os idosos, subindo o número de internações para 32%.

A fonoaudióloga também cita o Alzheimer, um tipo de demência que aumenta em cinco vezes a chance de se desenvolver em um paciente com perda auditiva.

“Isso sem falar no cansaço, na irritabilidade, no isolamento, frustração, raiva, que são sentimentos que impactam negativamente na qualidade de vida das pessoas”, comenta Vanessa Moraes.

A especialista ressalta a importância em buscar auxílio médico ao se perceber uma dificuldade auditiva, mesmo que pouca. O problema limita a saúde, o relacionamento pessoal e profissional do indivíduo. Quanto maior a demora para buscar ajuda, pior será o resultado na reabilitação.

“Vale ressaltar que não precisamos somente de aparelhos auditivos, precisamos de certa integridade cerebral, que diminui naturalmente conforme ficamos mais velhos. Temos então mais um motivo para não perdermos tempo e vivermos bem, usufruindo de todos os sentidos da nossa vida”, finaliza Vanessa Moraes.

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