Gabriel Novis Neves

A mídia, especialmente a televisiva, enquanto tratar os dependentes químicos como viciados, e não como doentes, estará contribuindo para agravar este grave problema de saúde pública.

Esses pacientes esperam que a sociedade tenha um maior entendimento sobre a doença, para ajudá-los na sua difícil, mas não impossível, reabilitação.
Chamá-los de viciados e procurar a polícia, não é um ato humanitário e só servirá para agravar o seu estado de saúde.
 Ninguém neste mundo de hipocrisia, com as raríssimas exceções, está disposto a ajudar um viciado em drogas, rotulado de marginal e outros adjetivos preconceituosos.
O dependente químico é um doente, e, como tal, tem que ser tratado com o mesmo carinho e solidariedade com que se trata um pneumônico.
Centros especializados para dependentes químicos inexistem em nosso Estado. Lastimável! Eles são extremamente necessários como instrumentos para se tentar a recuperação de centenas de brasileiros e brasileirinhos, por um mal que adquiriram, possivelmente pela genética, e agravado pela hostilidade social.
Tratar um dependente químico como viciado é o mesmo que afirmar que há pessoas viciadas em câncer.
Ter no seio da família um dependente químico é desesperador e, na maioria das vezes, fator principal para a desagregação familiar. O quadro se agrava frente à incapacidade e insensibilidade do governo de encarar com seriedade este problema. O caminho mais simples e rápido é classificá-los como viciados com direito à terapia policial.
Outro dia vi pela TV uma reportagem sobre um “infrator” que iniciou sua vida de crimes aos doze anos de idade. O repórter fechou a matéria dizendo que só agora, já adulto, foi encaminhado para um serviço de recuperação de drogados.
Lamentavelmente deixou de informar aos seus milhares de telespectadores que esse serviço de recuperação é o presídio público.
O Estado não possui Centros Especializados para recuperação de dependentes químicos, e os poucos especialistas existentes nessa área, não irão trabalhar sem as condições mínimas necessárias para o sucesso da reabilitação desses pacientes.
Gabriel Novis Neves, ex-jardineiro, médico, fundador e ex-reitor da UFMT.
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