A mortalidade infantil dos índios Xavantes cresceu pelo terceiro ano consecutivo. De acordo com estudo realizado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), somente em 2010, 60 crianças faleceram, vítimas de doenças respiratórias e infecciosas, número superior ao dos anos de 2008 e 2009, quando foram registradas 33 mortes. A publicação foi lançada ontem (30), em Brasília, na sede da Confederação Nacional de Bispos do Brasil (CNBB).

Os problemas enfrentados pela população indígena em Mato Grosso se concentram principalmente em municípios do Leste do Estado, como Campinápolis (658 km da Capital). Lá, a reserva indígena foi invadida por 68 fazendas. Além das terras invadidas, a devastação da floresta causa sérios prejuízos aos índios, cada vez mais pressionados por madeireiros que, ilegalmente, derrubam árvores protegidas por lei. Segundo a antropóloga e coordenadora do estudo Relatório de Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil, Lúcia Helena Rangel, a situação causa diversos problemas como a falta de recursos naturais e prejudica a qualidade do solo dos roçados da população Xavante, a cada ano menos produtivo.

Outra situação que agrava ainda mais a situação dos índios é, segundo o Cimi, a falta de assistência do Poder Público por meio de órgãos como a Fundação Nacional do índio (Funai) e do Ministério da Saúde, responsável pelo atendimento aos Xavantes. Conforme Rangel, no município, a atuação do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei), mantido pelo Ministério, é ineficiente. Ela lembra que as mudanças no sistema de atenção à saúde indígena desestruturam o trabalho lá desenvolvido e contribuíram para a degradação das condições de vida das comunidades.

Com o documento, a antropóloga espera sensibilizar as autoridades sobre o problema e denunciar, à população, o descaso com que os milhares de índios são tratados no Brasil. “Esperamos que a sociedade civil nos ajude, cobrando do Poder Público políticas voltadas para estes povos”.

Outro lado – Procurados pela equipe de reportagem, representantes da Funai não foram localizados. Já o Ministério da Saúde afirmou, por meio da assessoria, que não havia recebido oficialmente o estudo e, apenas após análise dos dados, se pronunciaria. (Glaucia Nogueira/A Gazeta)



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