Todas as cidades brasileiras tinham as suas peculiaridades. Através delas algumas se tornaram conhecidas no mundo todo. Temos exemplos de cidades com características que são unanimidades. Cidade Maravilhosa é o Rio de Janeiro. São Paulo é a Terra da Garoa. Alterosas, com certeza, é Belo Horizonte. Salvador é a Terra da Preguiça.  No Nordeste existe uma que expulsou de lá os holandeses que, obrigados a subir o Atlântico,  fundaram um vilarejo chamado de Nova York – hoje capital do mundo.
A nossa jovem Capital Federal, o sonho de Dom Bosco transformado em realidade por JK, tinha como peculiaridade abrigar, por metro quadrado, o maior número de marajás. Pelo censo do IBGE 2005 o Brasil possuía cinco mil quinhentos e sessenta municípios, Ainda não tenho o resultado final do censo 2010. Os números do IBGE indicam aumento do número de cidades, e todas nasceram com as suas peculiaridades.
Observei que, com o tempo, as peculiaridades das cidades brasileiras, de um modo geral, estão mudando. Preocupo-me com as perdas das características de inúmeras cidades, que estão sendo tratadas por blocos. Aqui no nosso Estado está assim. As cidades perderam as suas peculiaridades e são conhecidas como cidades do Vale dos Esquecidos. Cidades das queimadas criminosas. Cidades da baixada cuiabana banhadas outrora, pelo navegável Rio Cuiabá, com as suas indústrias hoje extintas e decadentes. Cidades dos velhos garimpos sem ouro. E tantas e tantas que perderam, com a modernidade, as suas características. 
A nossa querida e eterna Capital não escapou da onda, e hoje é conhecida como ex-Cidade Verde. A nossa moderníssima Capital Federal, patrimônio da humanidade, agora é conhecida como cidade exportadora de crises políticas de origem não republicana. Essa exportação está tão séria, que as companhias de aviação civil estão reduzindo os seus vôos para lá. Ninguém irá sair do seu município para comprar crise em Brasília. 
Passageiros para sair de lá, só liberados após a superfaxina iniciada no Ministério dos Transportes, e sabe-se lá onde terá o seu final. A presidente anda nervosa com o presente de grego que ganhou, e pelo que dizem os ministros, passa pito em todos eles, como se eles fossem os únicos responsáveis pela perfeita estrutura de poder que ela herdou. A crise com os seus aliados da base de sustentação do governo não é mais segredo para ninguém.
Os senadores e deputados têm medo da presidente, e mandam recados diretos e indiretos da sua indignação. A tramitação de assuntos de interesse nacional está com a sua pauta bloqueada no Congresso Nacional. Nossos representantes estão dando o troco para a operação faxina – que não engoliram – como as demissões, prisões com algemas dos seus cabos eleitorais e os pitos telefônicos.
Mas, para tudo neste mundo há um jeito – mesmo diante de cortes violentos no orçamento da União – sinal que de fato as coisas não andam bem. Com uma crise mundial que começou na Europa e lesionou seriamente o Império americano.  Com a China reclamando da inflação ficou evidente que essa história da crise financeira que domina o mundo chegará aqui como uma marolinha, e que temos barras de ouro como se os outros países declarados atingidos, não tivessem, está parecendo conversa fiada para boi dormir.
A verdade nua e crua é que para governar o Brasil, que está à deriva, a presidente terá que fazer uma penosa e perigosa concessão. Abrir o cofre do Tesouro Nacional e liberar o dinheiro das emendas parlamentares. É uma decisão doída para quem, no discurso de posse, prometeu cortar essa fonte de corrupção, confirmada pela Polícia Federal na última Operação Voucher. Liberando dinheiro agora para os congressistas a presidente estará fornecendo um atestado de idoneidade aos seus amigos que, em retribuição, irão desobstruir a pauta de votação. As cidades perderam as suas características. Os ocupantes do poder também?
Gabriel Novis Neves, ex-jardineiro, médico, fundador e ex-reitor da UFMT.
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