Vinte e dois trabalhadores de Mato Grosso que viviam em condições vulneráveis ao trabalho análogo à escravidão encerraram o curso de qualificação de construção civil ofertado pelo Projeto Ação Integrada (PAI), que é coordenado pela Superintendência Regional do Trabalho (SRTb/MT), Ministério Público do Trabalho (MPT/MT) e Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). O curso foi realizado em parceria com o Senai/MT.
Durante três meses os trabalhadores, que são oriundos dos municípios de Santa Terezinha, Luciara (Norte Araguaia) e Rosário Oeste (Baixada Cuiabana) ,foram qualificados para atuar nas funções de pedreiro, aplicador de revestimento cerâmico e pintor de paredes. As aulas foram aplicadas na fazenda experimental da UFMT, localizada no município de Santo Antônio do Leverger (18 km de Cuiabá).

A assistente social do PAI, Mônica Barros, explica que são trabalhadores que estão no banco de dados do Projeto Ação Integrada após abordagem nos municípios de origem. “São cidadãos que vivem em situação de vulnerabilidade, suscetíveis a serem cooptados para o trabalho forçado, e que agora poderão ingressar no mercado formal e melhorar a sua condição de vida e da sua família”.

As aulas foram ministradas pelo professor Benedito Pedro Moraes, do Senai/MT. Ao final, foram contabilizadas 14 ações dos alunos na Fazenda Experimental da UFMT, cujo gerente é o Professor Pedro Kaiser. O grupo construiu a casa do gerador, que já estava prevista no curso, e ainda realizou vários serviços na fazenda como pintura, colocação de azulejo e reformas.

“O projeto precisa ser fortalecido institucionalmente, Vocês fizeram um excelente trabalho funcional e construíram dentro de vocês a transformação. Você viram que são capazes e entenderam o que é ser cidadão. Não parem por aqui, porque o estudo é que transforma”, completou o Professor Doutor Emílio Carlos de Azevedo, coordenador do Projeto Ação Integrada pela UFMT.

Paulo César de Assis Chaves, de 47 anos, é morador de Luciara (1.150 km de Cuiabá). Solteiro e sem qualificação, acabava se submetendo a empregos informais, péssimas condições de trabalho e baixíssimos salários. Com o diploma do curso de qualificação ofertado pelo PAI, Paulo Chaves comemora este novo momento da sua vida.

“Viemos em 10 pessoas de Luciara e vamos voltar muito mais confiantes para realizar nosso serviço, sem medo de perder material, pontos para colocar a mão na massa”, disse ele sorridente, deixando evidenciar a autoestima alta e o desejo de uma nova vida.

Vários estrangeiros, entre venezuelanos e haitianos, também foram beneficiados pelo curso. Ronald Edmond, de 38 anos, veio com dois filhos de 5 e 8 anos para o Brasil há cinco meses. Ronaldo é advogado e atuava na área no Haiti, pátria que teve que deixar assim como milhares de outros irmãos que fogem da miséria.

Desempregado e morando na Pastoral do Migrante, em Cuiabá, Ronald aceitou fazer o curso pelo PAI, assim como seu primo Fegens Wacleche, de 29 anos, que já trabalhava na construção civil no Haiti. “Quero conseguir agora um emprego e daí procurar uma casa para morar com meus filhos”, afirmou Ronald Edmond.

Formatura

Os 22 trabalhadores receberam o diploma do curso durante solenidade realizada na última sexta-feira (23.08) no auditório do MPT/MT. Na oportunidade, o Auditor-Fiscal do Trabalho (AFT), Amarildo Borges de Oliveira, coordenador do Projeto Ação Integrada pela SRTb/MT, lembrou que o PAI busca a integração de diversos órgãos para demonstrar para o poder público que é possível fazer política pública com resultados para aquele que mais precisam.

“O PAI não deve ser um projeto que deva permanecer para toda a vida. Ele precisa ser encampado pelo Estado enquanto política pública extensiva. Em 10 anos atingimos cerca de 1 mil trabalhadores com poucos recursos. Já se ele for encampado pelo Estado conseguirá alcançar um número muito maior de cidadãos”, ponderou.

Amarildo Borges agradeceu a parceria do MPT, da UFMT, do Sistema S, das secretarias de Saúde e Educação e demais apoiadores. “O PAI existe graças aos parceiros e integração de órgãos”.

Aos formandos, o coordenador passou uma orientação. “Este é um passo muito importante na vida de vocês, mas é um passo apenas. Vocês demonstraram que são capazes ao concluírem o curso. E essa capacidade significa que vocês podem ir além, buscar outros horizontes, novos cursos técnicos e até uma universidade”.

Representando o MPT/MT, o procurador Francisco Breno Barreto Cruz parabenizou todos os formandos e também a coordenação do PAI e todos os parceiros envolvidos no curso. Pelo MPT/MT, coordena do PAI  a procuradora Thatiane Menezes do Nascimento. A coordenadora da Pastoral do Migrante de Cuiabá, Eliane Vitaliano também esteve presente à solenidade.

O presidente da Fiemt, Gustavo de Oliveira frisou que com o certificado de conclusão os trabalhadores poderão conseguir postos de trabalho em qualquer lugar do país e até fora do país. “Essa é nossa missão. Nós nascemos para qualificar, vivemos para fazer isso, e é uma alegria muito grande fazer da qualificação um instrumento de inclusão”.

 

 

 

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