Sandra Carvalho, de São Félix do Araguaia
Defensor ferrenho das causas indígenas, o bispo emérito de São Félix do Araguaia, a 1.150 km de Cuiabá, região oeste de Mato Grosso, Dom Pedro critica a inércia do Governo Federal diante de conflitos como o que acontece há quase sessenta anos na área denominada Suiá Missú, município de Alto Boa Vista, vizinho a São Félix. “As autoridades demoram muito para apresentar soluções concretas”, observa o bispo.


Casaldáliga, em São Félix.
(Foto: Sandra Carvalho)
Segundo ele, quanto mais tempo a situação continuar no impasse, maiores as possibilidades de conflitos. “No caso de Suiá Missú, as terras já foram consideradas áreas indígenas há vários anos pelo Governo Federal, porém até hoje não foi feito nada, efetivamente, para retirar os fazendeiros do local e dar-lhes outros destinos”, declarou hoje.


Taxativo, Dom Pedro lembra que os indígenas têm “direitos anteriores” aos fazendeiros e que cabe às autoridades garantir-lhes este direito. Sobre a ação violenta de algumas nações indígenas, como aconteceu esta semana em Alto Boa Vista, onde índios Marãiwatsede expulsaram ocupantes da fazenda Velho Oeste, localizada em suas aterras, “é resultado de 500 anos de desrespeito àqueles que são os antecedentes genuínos do povo brasileiro”.
Ontem, pessoas que foram obrigadas a deixar a propriedade por cerca de 200 indios relataram os momentos de aflição vividos durante a ocupação repentina. Os homens teriam sido ameaçados e humilhados. Quatro veículos e um trator foram levados para a aldeia e pertences dos moradores abandonados à beira da estrada. O gerente da fazenda, Evaldo Duarte dos Santos, de 34 anos, relata que os indígenas chegaram pintados para guerra, armados com pedaços de pau e flechas, tomaram os telefones e passaram a ameaçar levar as pessoas que ali estavam para a aldeia. Ele, sua esposa Vera Lúcia Nascimento, 30, três filhos menores e o pai Valdivino Duarte, de 55 anos, estavam no local, além de vários vaqueiros.
Evaldo e sua família, expulsos da fazenda Velho Oeste.
(Foto: Deyve Alves/Alto Boa Vista)
Francisco Pereira da Silva tem 162 cabeças de gado na propriedade e é um dos mais indignados com a forma violenta utilizada pelos indígenas. “Fui amarrado e eles disseram que iam me castrar. Só fiquei ligado em Deus nessa hora. Só ele para nos livrar nesse momento”, conta, lembrando que os fazendeiros já apelaram para autoridades de todas as esferas na tentativa de resolver o impasse e evitar o conflito, sem sucesso. “Vamos partir pra cima deles, não vamos mais resistir”, avisou o fazendeiro
Tardio – Ontem (12/05) o Tribunal Regional Federal (TRF) determinou que os posseiros de Suiá Missú desocupem a área em 30 dias e entrou com um pedido de execução de sentença para que a Justiça Federal intime todos os ocupantes não-índios daquela terra a saírem do local.
A procuradora da República Marcia Brandão Zollinger baseia-se na decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF 1), de outubro de 2010, ocasião em que o TRF 1 negou recurso que tentava derrubar a decisão da primeira instância da Justiça Federal em Mato Grosso que determinou, em 2007, a saída dos posseiros. (com Vanessa Lima, de O Repórter do Araguaia)
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