Evelyn Ribeiro/No Poder

Localizados em uma região bem distante da cidade e sem qualquer condição digna de vida, cerca de 80 pessoas lutam diariamente pela sobrevivência no Lixão em Várzea Grande. Com luvas, botas e roupas sujas, eles se dividem em espaços tomados por restos de alimentos, objetos, sacos de lixo, insetos e urubus que se tornaram também visitantes frequentes.Além da sujeira, mau cheiro e poeira os principais inimigos são o calor e a falta de água, já que alguns deles moram em pequenos barracos construídos de papelão e madeira por não ter pra onde ir. Estes acabam contratando serviços de caminhão pipa e gastam em média R$ 150 por mês.


Foto: Thomás Dorileo



As histórias de vida e a situação que se submeteram pela sobrevivência surpreendem. Muitos deles planejaram ter uma vida bem diferente da que estão hoje e relatam que tentaram trabalhar em empresas, lojas, supermercados e se entregaram a situação por não encontrar outra alternativa.
Entre os casos está o de Aurita Sebastiana da Silva, 44 anos. Ela está no local há 10 anos e estudou até o 2° ano do segundo grau. Aurita sustenta a família com uma renda de R$500 retirada do trabalho que exerce diariamente das 5h da manhã às 17h. Durante todo esse período se mantém em pé apenas com água e café, porque não se sente bem e não consegue se alimentar diante de tamanha sujeira. “Eu prefiro comer em casa, sem contar que com o calor nem faz bem. Eu só peço a Deus força e saúde pra estar aqui todo dia”.

Para chegar ao trabalho faz um trajeto a pé de Várzea Grande até o Trevo do Lagarto e conta com a carona dos caminhões de lixo com destino ao lixão. “Aqui somos uma família na busca de um mesmo objetivo: sobreviver. Cheguei a trabalhar com limpeza, mas vim pra cá, porque não tinha mais dinheiro” disse a catadora.
Antônio Deivid Magalhães, 47 anos se reveza entre um dia e outro em um bico como segurança e catador. Ele é sozinho e se mantém há três anos com uma renda de aproximadamente dois salários mínimos. Acostumado, sai de casa de madrugada e o seu meio de transporte é uma bicicleta. “Eu só saio daqui se me tirarem, se estou aqui é porque preciso. Ninguém gosta de viver assim, mas é melhor lutar do que fazer algo que possa prejudicar alguém”.
Em uma casinha simples de apenas um comôdo, a ex-funcionária de uma empresa de ônibus, Denives Rita da Silva, 57, se arrisca no lixo no período da tarde e da noite. Segundo ela, não se expõe muito devido a problemas de entupimento em uma das veias do coração. Denives tem dois filhos adultos que moram em Mato Grosso do Sul e que não dão nenhum suporte a ela. “Eles já estão criados né, sabem que vivo disso, mas seguem a vida deles. O único contato que temos é por telefone”.
Foto: Thomás Dorileo

Mesmo se mostrando “conformada” com a situação, ela ainda tem sonhos e a incerteza de que será concretizado. “Tudo o que quis a minha vida toda foi ter minha casa própria, e até agora o que consegui foi esse barraco que divido com uma outra pessoa que abriguei porque não tinha pra onde ir com o filho dela. Meu desânimo é porque cansamos de promessa. Muitos políticos aparecem aqui duas vezes, uma quando vem fazer promessa e outra pra agradecer o voto e na hora de cumprir somem”.

Prefeitura prometeu, mas não construiu barracão
A coleta seletiva no lixão é efetuada de segunda a segunda e encerrada no período noturno. Entre as dificuldades apontadas pelos catadores, também está a construção de um barracão prometido pela prefeitura de Várzea Grande e que não foi construído. Todos eles assim como os caminhões que descarregam o lixo são fiscalizados por um funcionário da prefeitura, que fica atento a movimentação no local e é responsável por uma espécie de cadastramento de pessoas que são autorizadas a trabalhar.
Para garantir a renda própria os catadores tem que encher sacos de aproximadamente 1 metro com embalagens recicláveis.
O material é comprado por empresas que vão até o lixão buscar e levar até a empresa onde será recuperado. Dependendo do material e peso eles ganham até R$ 8,00. Entre os recicláveis estão a latinha que vale R$ 2,40 o quilo, a garrafa pet que equivale a 0,66 centavos o quilo, além do plástico 0,30. O mais valioso é o cobre que pode render entre R$ 7,00 e R$ 8 dependendo da empresa.
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Dheynny de Melo Carvalho
Dheynny de Melo Carvalho
9 anos atrás

Parabéns pelo artigo, é lamentável a situação dos lixões no nosso estado, além da má disposição do lixo e da contaminação do meio ambiente, sujeitam as pessoas que sobrevivem dele à contaminação!

Walter Barros
9 anos atrás

Oi Sandra, parabéns pelo blog. Meu nome é Walter Barros, moro em Resende/RJ, sou jornalista e diretor de comunicação na cidade vizinha de Porto Real. Peço sua ajuda para tentarmos localizar em Cuibá o Sr. Julio Cesar Alves Biondo (26). Ocorre que a mãe dele, a 'Rose', mora em Porto Real e o 'deixou' qdo bebê (não sei quais foram as circunstâncias.Informo que tentei sem sucesso localizar o Julio no orkut e facebook. Meus contatos são: (24) 8134.7235 / 98*51253 / [email protected]….. Segue o link para mais detalhes, desde já agradeço:
http://www.goodangels.org/gc/index.php/casos-publicados/23653-lucia-alves-da-silva-costa.pdf