Sessenta por cento da população mato-grossense se declarou de raça preta ou parda no Censo Demográfico 2010. As pessoas brancas (37,5%), amarelas (1,1%), indígenas (1,4%) e sem declaração (0%) somam a parcela minoritária. Apesar da maioria populacional ter como característica a pele escura, o preconceito é assunto latente nas ruas e instituições públicas. Servidores relatam as formas de constrangimento envolvendo a Polícia Militar (PM) e instituições financeiras. É o chamado “racismo institucional”, denominado por entidades sociais.
Às 11h do dia 10 de maio, Fagner Farias, voltava de uma perícia médica. Ele havia feito cirurgia uma semana antes e pediu a um amigo que dirigisse o carro. Ao passarem de carro pela avenida Mato Grosso, em Cuiabá, foram abordados por uma viatura de Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas (Rotam). Na abordagem, Fagner apresentou a carteira de soldado do Corpo de Bombeiros. Está há 8 anos na função e atualmente lotado no 1º Batalhão da Polícia Militar (BPM) do Verdão. “Falei que era militar, mas ele continuou a revista e me disse que qualquer um pode dizer ser militar”.
O documento foi inicialmente ignorado pelo PM, alegando que “poderia ser um bandido”, lembra o bombeiro. Foi somente após a vistoria no carro que o agente conferiu o documento. “Ele disse que era procedimento normal e me liberou. Mas a partir do momento que disse ser militar ele deveria ter olhado o documento. Fez isso por discriminação de cor”, diz Fagner, que registrou boletim de ocorrência contra o agente por abuso de autoridade e enviará denúncia à Corregedoria.
As rondas da Polícia têm suspeito marcado, na opinião de Antônio, 36, que reserva a identidade. Em um final de semana estava de carona na própria moto, de modelo Twister vermelha. Um colega dirigia o veículo, porque Antônio estava com o braço quebrado. Por cerca de 2 quilômetros de deslocamento no centro da Capital, a dupla foi seguida por uma viatura da PM. Foram 5 semáforos de paradas, mas foi somente em frente à casa noturna mais popular da avenida Getúlio Vargas que a equipe os abordou. “Eles fecharam a moto, ligaram a sirene, mandaram colocar a mão na cabeça e abrir as pernas”. A situação, em meio à avenida lotada, foi um constrangimento para Antônio, que afirma ter sido encarado como suspeito somente por ser negro. (Amanda Alves/A Gazeta)
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