Kalixto Guimarães
Para por termo ao rumoroso embate entre índios xavante e produtores rurais, pelo direito de posse do espólio de um dos maiores latifúndio do planeta, conhecido nos anos 70 e 80, como sendo a “Fazenda do Papa,” o governo de Mato Grosso, está oferecendo como permuta, ao Ministério da Justiça e Funai, o Parque Estadual do Araguaia, com área territorial de 230 mil hectares, situada entre os rios; Das Mortes e Araguaia, no município de Novo Santo Antônio. Segundo o governo mato-grossense, está é uma solução “plausível e sensata,” com a qual, conta com a colaboração e o apoio do Governo Federal, para que se evite uma guerra já prenunciada entre índios e brancos, em pleno século XXI.
O conflito teve seu inicio, durante a Conferência Mundial do MeioxAmbiente, eco-92, realizada no Rio de Janeiro, quando um diretor não autorizado pela rolding italiana, Agip Petroli, declarou em público, de que a empresa estaria “doando” parte de suas terras ao povo xavante. A partir dai, mesmo sem a anuência da multinacional, a Funai, em conjunto com o Conselho Indigenista Missionário, Instituto Sócio Ambiental, Greenpeace e varias outras Ongs, teceu a tramóia produzindo documentos e laudos antropológicos falsos, que resultaram em uma conturbada batalha jurídica, avalizada pelo Ministério Público Federal, para a implantação da reserva indígena denominada na língua xavante de “maraiwatsede” (mata bonita) na área da então, Liquifarm Agropecuária Suiá-Missú, ex-fazenda do Papa, assim, chamada devido as gordas ações que o Banco do Vaticano (Ambrosiano Bank) detinha na Agip Petroli, que, por sua vez, mantinha a Liquifarm do Brasil, como sua subsidiária.
“MEL TRANSFORMADO EM FEL”
Desconsiderando a legitimidade dos títulos agrários emitidos pelo estado de Mato Grosso, entre 1950 e 1970, mais o registro “Torrens” concedido em 1973, pelo governo federal, aos ex-proprietários da lendária fazenda, localizada nos municípios de; São Félix do Araguaia e Alto Boa Vista, o Juiz do TRF, 1ª Região, José Pires da Cunha, em decisão contraditória expedida em 2010, invalidou os registros cartoriais da referida área, colocando todos os seus atuais ocupantes, que somam mais de 600 propriedades, na condição de meros “invasores” e “grileiros” da referida terra indígena. A decisão monocrática da Justiça Federal, anulando a legitimidade do direito de propriedade dos atuais “donos” da ex-fazenda Suiá-Missú, e ainda, a determinação de despeja-los, sumariamente, provocou transtornos e pânico nos distritos de Estrela do Araguaia e de Nova Suiá, localidades urbanas que possuem uma população estimada em mais de 3 mil habitantes, também, ameaçadas de extinção por situarem no perímetro da fictícia terra indígena, “maraiwatsede.”

PARQUE ESTADUAL DO ARAGUAIA O VERDADEIRO MARAIWATSEDE

A proposta do governador Silval Barbosa, apoiada por unanimidade pela Assembléia Legislativa do Estado de Mato Grosso, em permutar área e construir uma aldeia padrão e com toda a infraestrutura necessária no Parque Estadual do Araguaia, para que a comunidade indigena envolvida no conflito, possa viver com tranquilidade e a merecida dignidade, vem agradando grande parte das lideranças xavante, que já manifestaram o desejo de fazer uma visita “in loco” no parque, para conhecê-lo melhor.
Bem ao contrário do que vem sendo dito e veiculado na imprensa por parte dos pseudos-indigenistas, que dizem ser o Parque, um lugar inadequado por ter uma área “pantanosa” e que no periodo das chuvas, fica “100%, inundada,” não passa de mais uma das estratégias falaciosa dos vampiristas-sanguessugas, que sobrevivem do estado caótico e deplorável em que se encontram as comunidades indigenas do país.
Possuindo uma riqueza imensurável em sua flora e fauna, o Parque do Araguaia, possui um habitat perfeito para os indigenas, podendo se tornar em breve, no verdadeiro “maraiwatsede,” a mata bonita e a terra prometida, tão sonhada e desejada pelo grupo xavante, que vivem sob a liderança do cacique Damião Paradzane.

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