Hoje pelo menos 4 mil pessoas aguardam por uma cirurgia ortopédica na lista da Central de Regulação. São Pacientes de todo o Estado e que não as vezes ficam mais de um ano aguardando o procedimento. Se em Cuiabá o Governo do Estado mantivesse um grande hospital público estadual, essas pessoas não passariam tanto tempo esperando.
 Alguns fatores contribuem para a existência de grandes filas no SUS. Um deles é a influência de políticos na Central de Regulação. Para atender o eleitorado no interior, deputados e prefeitos encaminham pacientes para Cuiabá – onde estão concentrados os serviços de média e alta complexidade – sem que estejam regulados. E estes acabam passando na frente de quem já está aguardando a mais tempo na fila da Central. Alguns são levados direto para o hospital que presta serviços para o SUS – onde o político também exerce influência –  mesmo não se tratando de casos de urgência, mas eletivo (menos grave).
A Central de Regulação foi criada para distribuir os pacientes de acordo com a gravidade do caso. Existe uma equipe médica para avaliar cada laudo e fazer a classificação do paciente. Em 2009 percebeu-se um rigor do município de Cuiabá dentro da Central, o que favoreceu a redução da fila e o fluxo normal dos pacientes. A fila voltou a crescer em 2010.
Outro fator é a prática já comum de alguns hospitais conveniados ao SUS de guardar na gaveta laudos encaminhados pela Central de Regulação. São pacientes complicados, cuja cirurgia é de difícil recuperação (mais tempo de internação). Estes acabam aguardando anos na fila se a Central de Regulação não tiver pulso para intimar os hospitais a fazer a cirurgia. E nestes casos, às vezes, há a necessidade de interferência do Ministério Público e da Defensoria Pública, “judicializando” o assunto.
E este é o terceiro fator, a “judicialização” do SUS. Muitos pacientes entram na Justiça para conseguir atendimento mais rápido. E, sem a devida orientação de especialistas (médicos), o juiz determina que o SUS realize o procedimento a qualquer custo, mesmo não se tratando de caso de urgência. E este paciente passa a frente de outros que já aguardam há tempos na fila. Naturalmente que muitos são mesmo casos graves e que justificam a ordem judicial.
A verdade é que fila no SUS sempre vai existir. Há meios de reduzi-las efetivamente, que é através do aumento do financiamento (mais recursos federais e estaduais, reajuste da tabela do SUS), pela transparência do uso desses recursos e da gestão dos serviços e ampliação da oferta de serviços (mais hospitais, equipamentos e profissionais da saúde).
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