A ex-guerrilheira Criméia de Almeida, presidente da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos de São Paulo, pediu nesta quinta-feira a participação efetiva de familiares nas buscas do grupo de trabalho do Ministério da Defesa por restos mortais dos integrantes da Guerrilha do Araguaia. Criméia, que sobreviveu à guerrilha e tem três parentes desaparecidos, disse que os familiares querem ter liberdade de movimento na região onde ocorrem as buscas, inclusive com o recebimento de mapas e informações geográficas. As informações são da Agência Câmara. 
Segundo Criméia, o Ministério da Defesa já reconheceu que a presença dos familiares é legítima nas buscas, mas não efetivou essa participação. Ela lembrou que os restos mortais de Maria Lúcia Petit e Bérgson Gurjão Farias (guerrilheiros cujas ossadas foram identificadas) foram descobertos com alguma ajuda do Estado, mas fundamentalmente pelo esforço dos familiares. 
Durante audiência pública da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, Criméia disse que a criação da Comissão da Verdade não vai substituir a sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) sobre a Guerrilha do Araguaia, que considerou dever do governo brasileiro investigar, julgar e punir torturadores. 
No final do ano passado, a corte culpou o Brasil pelo desaparecimento de 62 integrantes da guerrilha, que foi organizada pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB) no início dos anos 1970 na região do Bico do Papagaio (divisa dos estados de Tocantins, Pará e Maranhão), e classificou o fato como crime contra a humanidade.
Também presente na audiência, o professor Fábio Konder Comparato, da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, disse que é preciso discutir a responsabilidade do Estado no cumprimento da sentença da OEA. Segundo Comparato, o desrespeito a essa decisão colocaria o Brasil em ruptura com a ordem internacional.
Para Comparato, o debate não deve levar em conta o conflito entre a decisão da corte e o julgamento anterior do Supremo Tribunal Federal (STF). A sentença da OEA é contrária a uma decisão do STF de maio de 2010, que considerou anistiados todos os crimes políticos e conexos cometidos durante o governo militar, por agentes do Estado ou por militantes políticos contrários à ditadura.(Terra)
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