Produtor de Colniza.
(Foto: Sandra Carvalho)
Mato Grosso cultiva pouco café. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), na última safra o Estado produziu apenas 137 mil sacas de café conilon. O arábica é importado do Paraná e de Minas Gerais. Os cafeicultores mato-grossenses estão concentrados no Nortão. Nos últimos cinco anos muitos migraram para outras culturas em função das dificuldades financeiras, da falta de chuvas e da pobreza do solo.
Nem mesmo o incentivo fiscal do Governo do Estado, a nova normativa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e o investimento de algumas empresas em pesquisa evitaram que os cafeicultores optassem por outras atividades. Mesmo assim, ainda há aqueles que persistem e procuram inovar para sobreviver. É o caso dos associados da Sol Nascente. Eles se uniram, investiram no produto e, atualmente, cultivam, industrializam e comercializam cerca de 35 mil quilos de café por ano.
Esses cafeicultores são de famílias tradicionais no setor cafeeiro e vieram do Paraná há cerca de 30 anos. O presidente da Associação Sol Nascente, instalada no município de Alta Floresta, José Adenival Nunes, conta que o grupo é formado por cerca de 40 lavradores. Segundo ele, já foi bem maior, mas nos últimos cinco anos pelo menos 50 famílias optaram pela pecuária leiteira e outras atividades. Segundo José Adenival, a principal dificuldade é a falta de chuva na hora certa. Ele também aponta a pobreza do solo como um dos empecilhos para aumentar a produtividade. “A correção custa dinheiro e isso dificulta ainda mais o nosso trabalho e compromete a lucratividade”. Apesar das dificuldades, José Adenival conta que a produção do grupo Sol Nascente atende os municípios de Alta Floresta, Novo Mundo, Nova Guarita e Carlinda.
Conilon e o arábica são as duas principais cultivares de café existentes no Brasil. Em Mato Grosso os cafeicultores só cultivam a conilon, cultivar adaptada à regiões de baixa altitude e temperaturas elevadas. “É mais rústica e tem mais resistência às deficiências hídricas”, explica o engenheiro agrônomo Adonias José Soares. Já a arábica, que produz um café fino, de aroma e sabor mais apurados, é adaptada às regiões de temperaturas amenas e altitude elevada.
Mesmo com a união de cafeicultores e a instituição de algumas associações no Norte do estado a produção de café é considerada pequena. Além disso, Mato Grosso não tem dados sobre a produção. O cultivo fica por conta dos agricultores familiares e dos assentados e o maior número de sacas é colhido em municípios como Colniza, Nova Bandeirantes, Nova Monte Verde, Alta Floresta e região. O secretário de Agricultura de Alta Floresta, Waldemar Gamba, diz que a área de cultivo já foi maior em seu município, mas os produtores têm diversificado as atividades. “Muitos estão optando pela pecuária leiteira”.
Apesar de alguns produtores terem abandonado o cultivo do café, há quem diga que lidar com este setor da agricultura é um caso de paixão. Depois que a pessoa começa a trabalhar e conviver no setor não que mais trocar de profissão. Isso é valido para o cultivo, industrialização e todas as outras opções de trabalho e profissões que há no setor. Classificador de café é a profissão de Jair da Silva há cerca de 15 anos. Conhecedor do assunto, ele conta que ao tomar um café consegue identificar os defeitos.
Jair chegou recentemente do Paraná e trabalha na Mitsui Alimentos – Café Brasileiro. Ele conta que a classificação do produto é feita por amostra. “Avaliamos a umidade, impurezas e vários outros itens”. O classificador avalia a condição física do café e o sabor. A empresa, além de comprar a produção mato-grossense, também importa café dos Estados do Sul do Brasil. (Agronotícias)
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