Em entrevista ao Circuito Mato Grosso, secretário da Copa, Maurício Guimarães comentou os feitos e desafios à frente da pasta. Confira:

Por Sandra Carvalho
Fotos: Mary Juruna

CMT – Qual foi o principal motivo que o levou a aceitar o cargo de secretário na Secopa num momento tão polêmico como a saída de Éder Moraes?

MG – Eu já fazia parte da pasta como adjunto e já considerava a proposta de trabalho com vistas à Copa do Mundo muito importante. Sou servidor público de carreira e não tenho aspiração política. O principal motivador foi desejar ver Cuiabá transformada em 2014.

CMT – Já parou pra pensar na grande responsabilidade que assumiu ao aceitar o cargo de secretário da Secopa?

MG – Se fizesse uma análise muito fria, jamais estaria aqui. Mas, enquanto servidor público, tenho um compromisso com o governador Silval Barbosa e quero cumpri-lo. Prefiro focar nas tarefas que tenho que executar. Ser gestor público não é fácil, até porque atirar pedra na vidraça é muito fácil. Eu trabalho sempre lembrando que vou levar para o resto da vida o resultado do trabalho que fizer na Secopa, que considero um grande desafio na minha vida, dos quais 27 anos dedicados ao serviço público.

CMT – O senhor não aparece muito na imprensa, é de pouca conversa…

MG – Quem tem de aparecer não é o executor, e o que nós não vamos fazer é propaganda do nosso trabalho. O resultado dele é que vai dizer se nós estamos no caminho certo. Eu estou procurando imprimir um perfil extremamente técnico, mas nunca deixarei de prestar contas públicas à sociedade. A prestação de contas vamos fazer todas as vezes que formos convidados. Fora isso, opto pela imersão no meu trabalho.

CMT – Desde que o senhor assumiu, ainda como adjunto, teve de fazer alguma mudança importante na gestão em relação ao estilo de administrar do ex-secretário Éder Moraes?

MG – O modus operandi é o mesmo. Não mudamos nada. Agora, é natural que a gestão fique mais com a nossa cara, mas isso não significa mudar a forma como a pasta estava sendo conduzida. Inclusive a nossa equipe é a mesma, só agora é que mudou o adjunto.

CMT – As obras seriam seu grande desafio na Secopa?

MG – A Copa não é feita só de obras. Há muito mais coisas que nós temos que organizar para que a gente faça de Cuiabá a melhor sede do Brasil. As obras são uma conjunção de esforços do momento para a gente fazê-las, e elas são necessárias há muito tempo. Ficarão como legado e pode ser que, daqui a 15 anos, talvez já estejam obsoletas. Mas preparar Cuiabá para mostrar Mato Grosso ao mundo é o verdadeiro objetivo e a essência da Copa do Mundo. A essência da Copa do Mundo transcende as obras.

CMT – Foi meio difícil definir o modal de transporte, que inclusive ainda rende investigação em Brasília…

MG – Essas duas servidoras que estão sendo acusadas foram, na verdade, grandes parceiras do Governo de Mato Grosso. O que houve foi uma jogada política para atingir o ministro e isto voltou à tona agora, mas está praticamente esclarecido. Sobre o VLT em si, teve discussão que toda a sociedade acompanhou. Antes era o BRT, mas depois dessa grande discussão passamos a adotar um modelo moderno de transporte. Para se ter uma ideia, este é o primeiro VLT da América Latina. O mais próximo de Cuiabá está em Houston, nos Estados Unidos. Foi um desafio muito grande chegar aonde chegamos. Preparar, fazer processo licitatório, fazer essa concepção de modelo de modal tão moderno e adequar à nossa realidade de via pública… E agora nos vemos diante de outro grande desafio que é a execução da obra. Tenho certeza que vamos dar conta de fazer e entregar a Cuiabá o que há de mais moderno em termos de transporte público. Nossos usuários merecem e vão ter orgulho de pegar sua bicicleta, ir até o terminal, estacionar, pegar o trem com conforto, sem barulho, sem cheiro de óleo diesel, ir e retornar do seu destino. No início de 2014 nós já vamos estar usando de forma experimental o VLT.

CMT – Em relação à Miguel Sutil, qual o prazo para concluir as obras?

MG – São doze meses, exceto a trincheira Jurumirim/Trabalhadores que é de 18 meses, por ser uma obra complexa e demorada.

CMT – Temos visto poucos homens trabalhando nessas trincheiras. Esse ritmo é normal?

MG – Não há equipes trabalhando porque estamos na fase inicial, quando há remoção, interferências de água, fibra óptica… Todo esse transtorno não está permitindo que avancemos em turnos, mas logo estaremos trabalhando pelo menos 18 horas por dia e também nos finais de semana para devolver a via num prazo menor. Nós também estamos correndo para otimizar o trabalho no período de seca, principalmente onde temos que remover terra.

CMT – Comerciantes da Miguel têm reclamado muito da falta de informação e prejuízos. Isso estava previsto?

MG – Reconhecemos que houve algumas falhas iniciais de comunicação. Mas todos sabiam com bastante antecedência que haveria interdições na Miguel Sutil. Estamos fazendo obras grandiosas num ambiente urbano. Isto, por si só, já é um dificultador. Na Perimetral, oito intervenções, quatro (total) e quatro (parcial). Domingo começa mais uma parcial e no outro final de semana mais uma total. Isso impacta a vida das pessoas que têm de passar por ali e de quem tem comércio. Levantamentos identificam que o tráfego na Miguel Sutil diminuiu em 40% e isso acaba diminuindo o acesso ao comércio. Essa perda é momentânea. A via hoje está estagnada, mas ao término das obras vai ser possível trafegar pelo viaduto da Fernando Corrêa até o aeroporto sem nenhum sinal, sem uma parada. Trânsito totalmente livre. A avenida será uma via expressa e vai cumprir com seu papel de corredor.

CMT – E a Arena Pantanal, está realmente dentro do prazo?

MG – A obra está dentro do cronograma. Só esta semana contratamos mais de 100 operários para otimizar os serviços que estão entrando agora num novo ritmo. Vale ressaltar que não há necessidade de entregá-la no final do ano, até porque não poderemos usar o espaço antes da Copa. Houve comentários de demissão em massa na obra. Não houve dispensa. Houve troca do prestador de serviço. Com a troca, a terceirizada dispensou os operários que foram recontratados de forma direta para a obra.

CMT – O senhor garante que todas as obras serão concluídas até a Copa?

MG – Mato Grosso vai receber a Copa 2014 com todas as obras prontas. Não vai ser preciso usar nenhum tapume para esconder obra inacabada.

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