Nesta quarta-feira (22.01) o Prof. Dr. Paulo Tomazinho, do Paraná, capacitou professores do Colégio Notre Dame de Lourdes, em Cuiabá (MT), sobre metodologias ativas, cada vez mais presentes nas discussões sobre o futuro da educação em busca do melhor resultado no processo de ensino e aprendizagem.

“Estamos vivendo um momento em que novas tecnologias e novos desafios exigem que a escola deva cada vez mais estar apta a ensinar o aluno a aprender a aprender”, define o especialista.

Segundo Dr. Paulo Tomazinho, quando um bom professor dá uma aula bem montada, com início meio e fim, o aluno entende tudo. “Quando o aluno entende e compreende, ele acha que aprendeu e acha que vai lembrar de tudo no futuro. Isso é caracterizado como ilusão de influência”.

A aprendizagem, pontua o especialista, não é só esse processo de entendimento, de compreensão. O aluno tem que estar motivado, tem que estar querendo aprender, tem que entender, ou seja traduzir as palavras, os significados.

“E esse entendimento tem que fazer significado pra ele, tem que ser associado ao que ele já sabe, com memórias prévias. Depois o aluno tem que criar estratégias de onde está guardando isso em sua memória associado a quê, e daí qual a estratégia de recuperação dessa informação para, aí sim, aplicá-la na resolução de problemas reais”.

De acordo com Dr. Paulo Tomazinho, o problema é que muitos professores dão boas aulas, o aluno compreende, porém ele não tem tempo durante a aula de criar esse processo de armazenamento, recuperação e aplicação do que aprendeu.

“A gente chama isso de divisor de influência. Normalmente o professor vai perceber que o aluno gosta da aula dele, tira boas notas, e todos ficam contentes: o aluno, o pai, o professor, a escola”, pontua.

E acrescenta: “Mas, se esse professor tiver um senso mais crítico e depois da prova entrevistar esse aluno para ver o que realmente aprendeu vai, infelizmente, constatar que ele lembra muito pouco porque o objetivo foi estudar para a prova, para tirar nota, alcançar a média, passar de ano e deixar a família feliz”.

Paulo Tomazinho observa que este é um objetivo de memória de curto prazo, em que se faz um estudo de quantidade muito grande de conteúdo na véspera da prova, e depois esquece tudo, porque o objetivo não é necessariamente de aprendizagem de longo prazo, mas de tirar nota para passar de ano.

A estratégia mais simples que existe para que o aluno memorize a informação, de acordo com o especialista, é pedir para eles conversarem sobre aquilo que acabaram de entender e compreender.

“Para explicar para o colega, o aluno vai ter que entrar na sua mente, buscar nas memórias o que o professor falou, organizar e elaborar isso tudo para poder falar. Ao falar, às vezes a percepção do colega foi diferente da dele e aí vem a discussão. Ao conversar e praticar, os alunos estão um ensinando ao outro e todos sabem que a melhor forma de aprender é ensinando”.

Um desafio apontado pelo Dr. Paulo Tomazinho é traduzir a capacitação docente em práticas didáticas dentro da sala de aula. “Eu tenho usado embasamento em neurociência para mostrar aos professores da forma mais simples possível que não é preciso usar a aula inteira neste processo, mas alguns minutos, como que temperando essa aula em busca do melhor processo de ensino e aprendizagem”.

O Prof. Dr. Paulo Tomazinho é formado em Odontologia pela Unipar, Doutorado em Educação pela Universidad del Mar, e mestre em Ciências Microbiologia pela USP, além de Pós-Graduação e Doutorado em Odontologia pela Universidade Positivo.

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